O Bloco de
Esquerda teve oportunidade de constatar em Outubro passado, em visita à
Associação CAULE, a grave situação de expansão da doença do Nemátodo da
Madeira do Pinheiro (NMP) em quatro concelhos do distrito de Coimbra
tendo, na altura, denunciado e confrontado o Ministério da Agricultura,
do Desenvolvimento Rural e das Pescas com a situação. São agora as
Associações de Produtores Florestais do Concelho de Alvaiázere e de Ansião, no distrito de Leiria,
que vêm a público criticar a falta de informação e diálogo da
Autoridade Florestal Nacional (AFN) com as Associações, bem como apontar
várias fragilidades às medidas tomadas pelo Estado para lidar com esta
preocupante questão.
As Associações de Produtores Florestais de Ansião e Alvaiázere estranham
que estes tenham sido considerados zona livre de doença. As observações
no local dos técnicos das Associações de Produtores Florestais APFA
(Ansião) e APFCA (Alvaiázere) garantem que existem casos de infecção pelo Nemátodo da Madeira do Pinheiro nestes concelhos. Em Alvaiázere, a AFN não identificou árvores infectadas, mas encontrou em todos os concelhos limítrofes.
Também a Quercus se junta aos protestos das associações
afirmando mesmo que as informações são mantidas “quase em segredo” e
criticando a falta de colaboração entre Governo e produtores. Segundo a
associação ambientalista, a AFN parece “não assumir onde está a doença”
nem informar os produtores sobre o que é preciso fazer para a combater.
Importa assim clarificar e tornar público quais são as freguesias
infectadas já identificadas, as zonas tampão e as já intervencionadas.
Em resposta à pergunta do Bloco de Esquerda o Ministério afirma ter
levado a cabo acções de prospecção e eliminação de árvores com
sintomas de declínio em 432 freguesias fundamentalmente a Norte e
Centro do país. Falta agora divulgar que freguesias foram estas.
exista uma relação estreita entre a
administração central e as associações de produtores florestais locais
no sentido de manter abertos canais de diálogo que permitam uma
identificação célere da doença e uma intervenção eficaz, quer no combate
quer na prevenção da doença.
Por outro lado, existem outros agentes de declínio de coníferas para
além do Nemátodo da Madeira do Pinheiro, como pragas de escolitídeos, a
afectar as florestas de pinheiro bravo da região centro e norte.
Importa, por isso, saber que medidas a AFN está a tomar para identificar
e combater eficazmente estes outros agentes e assim proteger a floresta
portuguesa e a totalidade dos ecossistemas florestais, e os interesses
económicos e sociais da região.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e
regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por
este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Agricultura, do
Desenvolvimento Rural e das Pescas, as seguintes perguntas:
Quais são actualmente as zonas de floresta de pinheiro bravo que se
encontram infectadas com NMP, de acordo com os dados mais recentes que o
Governo dispõe? Fazem os concelhos de Ansião e Alvaiázere parte dessas
zonas? Quais são as freguesias afectadas nestes dois concelhos?
Vai o Governo intensificar a recolha de amostras para a identificação de
pinheiros infectados com NMP, de forma a averiguar a veracidade das
observações no campo realizadas pelas associações de produtores
florestais nos concelhos de Ansião e Alvaiázere?
Está o Governo em condições de garantir a concretização de todas as
acções necessárias de remoção de pinheiros afectados por NMP até final
de Março de 2011?
Que medida pretende o governo tomar no sentido de garantir a chegada de
informação de forma célere às associações e produtores florestais acerca
da localização dos casos de doença do Nemátodo da Madeira do Pinheiro?
Que medidas pretende o governo tomar no sentido de combater outros agentes de declínio de coníferas?
Pelos Deputados,
Heitor de Sousa , Pedro Soares, Rita Calvário
Destinatário das questões:Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

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